(FÁBIO ALLEX)
Quanta Formosura!
Que Esplendor!
Que Lábios Graciosos!
Que Olhar Terno!
Quanta Pluralidade em um Conjunto Unitário!
Quanta Luz!
Está ao lado do Convento, encoberta com um véu laranja.
Um Anjo Envolto de Jasmim.
Há Beleza mais Exuberante que Essa?
Há?!
Não, não há!
Não, que os meus olhos tenham visto.
Não, que a minha alma tenha percebido.
Não, que a minha pele tenha sentido.
Não, que o meu coração tenha recebido.
Não, não há!
Não, que em minha vida tenha surgido.
Definitivamente...
Não há!
(28-03-2007)
sábado, 31 de março de 2007
A LUA E A RUA
(FÁBIO ALLEX)
A Lua cheia e a rua completamente vazia.
Nada mais sobre a rua, somente eu sob a Lua.
Todos estão em casa pendurados na janela para apreciar o Satélite.
“Olha quanta beleza!” - Dizem os enamorados apontando seus dedinhos!
Eu não! Que se esvaneça todo o seu brilho e quem o contempla.
Amanhã, o Sol deverá nascer com muito menos energia, depois de emprestar tanta luminosidade.
Mas, eu não me importo com nada, com nenhum corpo celeste!
Nem mesmo sei se chego até amanhã.
Sou muito egoísta, muito interesseiro!
Apenas me aproveito da Lua, de toda a sua ingenuidade e gentileza!
Sim, eu não presto! Sou um caro aproveitador, um oportunista barato! Sou a pior espécie!
Dela, apenas quero a sua luz para que ilumine os meus passos por estes becos que poderão me levar até você.
Após lhe encontrar, quero que tudo se exploda, que todo clarão se apague! Dane-se todo o resto!
Menos nós dois, meu Calor Distante!
Que não sobre mais nada para os românticos da janela!
Quero que a dor seja a tônica para eles, não suporto mais os sorrisos abobalhados e as palavras melosas!
Que coisa mais chata, repugnante, piegas é o romantismo!
Já basta eu, já não me agüento mais!
Tantas luas, ruas, léguas e nenhum amor!
(22-03-2007)
A Lua cheia e a rua completamente vazia.
Nada mais sobre a rua, somente eu sob a Lua.
Todos estão em casa pendurados na janela para apreciar o Satélite.
“Olha quanta beleza!” - Dizem os enamorados apontando seus dedinhos!
Eu não! Que se esvaneça todo o seu brilho e quem o contempla.
Amanhã, o Sol deverá nascer com muito menos energia, depois de emprestar tanta luminosidade.
Mas, eu não me importo com nada, com nenhum corpo celeste!
Nem mesmo sei se chego até amanhã.
Sou muito egoísta, muito interesseiro!
Apenas me aproveito da Lua, de toda a sua ingenuidade e gentileza!
Sim, eu não presto! Sou um caro aproveitador, um oportunista barato! Sou a pior espécie!
Dela, apenas quero a sua luz para que ilumine os meus passos por estes becos que poderão me levar até você.
Após lhe encontrar, quero que tudo se exploda, que todo clarão se apague! Dane-se todo o resto!
Menos nós dois, meu Calor Distante!
Que não sobre mais nada para os românticos da janela!
Quero que a dor seja a tônica para eles, não suporto mais os sorrisos abobalhados e as palavras melosas!
Que coisa mais chata, repugnante, piegas é o romantismo!
Já basta eu, já não me agüento mais!
Tantas luas, ruas, léguas e nenhum amor!
(22-03-2007)
BERÇO
(FÁBIO ALLEX)
Para Brenno Ítalo
Chegou a nova luz regada à paz, com cheiro de hortelã.
Clareou a noite, feito vela acesa, com gosto de maçã.
Bastou nascer p’ra renovar os dias e fazer de mim, um fã.
Balanço o berço que balança a minha vida: presente de irmã.
A ablução da sua alma com as lágrimas afluentes do meu amor.
A aspersão no rosto, das gotas que batem nas pedras do cais do bem-vindo.
Seu sorriso moldurado pela mão divina e pendurado na parede do infinito.
Sua purificação: óleo, água benta. Vestes brancas acentuam a cor.
Vamos devagar! P’ra chegar é só engatinhar.
Neném quer mamar! O rio que corre é p’ra desaguar.
Vamos acelerar! O tempo urge pela hora de brindar.
Neném quer nanar! O sono traz o sonho que não se pode evitar.
(09-02-2007)
Para Brenno Ítalo
Chegou a nova luz regada à paz, com cheiro de hortelã.
Clareou a noite, feito vela acesa, com gosto de maçã.
Bastou nascer p’ra renovar os dias e fazer de mim, um fã.
Balanço o berço que balança a minha vida: presente de irmã.
A ablução da sua alma com as lágrimas afluentes do meu amor.
A aspersão no rosto, das gotas que batem nas pedras do cais do bem-vindo.
Seu sorriso moldurado pela mão divina e pendurado na parede do infinito.
Sua purificação: óleo, água benta. Vestes brancas acentuam a cor.
Vamos devagar! P’ra chegar é só engatinhar.
Neném quer mamar! O rio que corre é p’ra desaguar.
Vamos acelerar! O tempo urge pela hora de brindar.
Neném quer nanar! O sono traz o sonho que não se pode evitar.
(09-02-2007)
ERMO
(FÁBIO ALLEX)
Sinto-me só, fico comigo. Em uma solidão, eu me abrigo.
Sinto-me só quando na multidão. O sol irradia-me escuridão.
Às vezes é bom sentir-se sozinho, é bem melhor p’ra escolher um caminho.
Às vezes, falta um carinho; às vezes, falta um perfume; às vezes, falta uma conversa.
A solidão altiva desconversa. As paredes já não dão conta do recado.
No espelho, o meu rosto cansado de solidão. Às vezes, falta um sentimento.
Qualquer coisa p’ra se sentir, que não seja solidão, que tire da boca, o gosto amargo.
Já não é bom sentir-se sozinho, a necessidade agora é outra.
Quero a chave dessa cela, outra companhia que não a minha sombra.
Às vezes, falta outro rosto, que não seja o meu cansado.
Às vezes, falta um afago, que não seja emancipado. Em prantos fica a minha pele.
Esse silêncio me ensurdece, quero ganhar outra coisa que não seja o que me dão.
- “Só lhe dão!" Só me dão, so... li... dão. E eu só, então. So... li... dão. Só - li - dão.
(09-06-1999)
Sinto-me só, fico comigo. Em uma solidão, eu me abrigo.
Sinto-me só quando na multidão. O sol irradia-me escuridão.
Às vezes é bom sentir-se sozinho, é bem melhor p’ra escolher um caminho.
Às vezes, falta um carinho; às vezes, falta um perfume; às vezes, falta uma conversa.
A solidão altiva desconversa. As paredes já não dão conta do recado.
No espelho, o meu rosto cansado de solidão. Às vezes, falta um sentimento.
Qualquer coisa p’ra se sentir, que não seja solidão, que tire da boca, o gosto amargo.
Já não é bom sentir-se sozinho, a necessidade agora é outra.
Quero a chave dessa cela, outra companhia que não a minha sombra.
Às vezes, falta outro rosto, que não seja o meu cansado.
Às vezes, falta um afago, que não seja emancipado. Em prantos fica a minha pele.
Esse silêncio me ensurdece, quero ganhar outra coisa que não seja o que me dão.
- “Só lhe dão!" Só me dão, so... li... dão. E eu só, então. So... li... dão. Só - li - dão.
(09-06-1999)
PROCELA
(FÁBIO ALLEX)
Chove tão forte lá fora, e não posso sair. Talvez não molhasse em mim.
O frio é intenso. Aqui dentro traz falta de ar. É mesmo de arrepiar.
Vejo miragem em tudo, em todo lugar. No espelho, nimbos a me olhar.
Garoa surgindo é prelúdio de enxurrada. Preparo-me para o pé-d’água.
Estrela nenhuma no céu, relâmpagos brilham no ar. É perigo, de cego ficar.
Dilúvio que submergiu o referencial. Inundação torrencial.
Nuvem em cima de mim e abaixo do nível do mar.
Nuvem em cima de mim. Pluviosidade, que azar!
Chuva de granizo, isso que é temporal! No mar, açúcar em vez de sal.
Se chover canivete, talvez vá me molhar. Sem medo de me cortar.
Guarda-chuva e sombrinha p’ra proteger. O perigo está em viver.
Mas, o sol ainda espero que possa surgir. Espero paciente aqui.
Ao redor, tudo molhado e sinto-me sertão. Com frio no meu coração.
Estrondo, trovões e ventania a diluir. Mas é assim que consigo dormir.
Nuvem em cima de mim. Pluviosidade, que azar!
Nuvem em cima de mim. Ainda bem que eu sei nadar.
(20-01-1999)
Chove tão forte lá fora, e não posso sair. Talvez não molhasse em mim.
O frio é intenso. Aqui dentro traz falta de ar. É mesmo de arrepiar.
Vejo miragem em tudo, em todo lugar. No espelho, nimbos a me olhar.
Garoa surgindo é prelúdio de enxurrada. Preparo-me para o pé-d’água.
Estrela nenhuma no céu, relâmpagos brilham no ar. É perigo, de cego ficar.
Dilúvio que submergiu o referencial. Inundação torrencial.
Nuvem em cima de mim e abaixo do nível do mar.
Nuvem em cima de mim. Pluviosidade, que azar!
Chuva de granizo, isso que é temporal! No mar, açúcar em vez de sal.
Se chover canivete, talvez vá me molhar. Sem medo de me cortar.
Guarda-chuva e sombrinha p’ra proteger. O perigo está em viver.
Mas, o sol ainda espero que possa surgir. Espero paciente aqui.
Ao redor, tudo molhado e sinto-me sertão. Com frio no meu coração.
Estrondo, trovões e ventania a diluir. Mas é assim que consigo dormir.
Nuvem em cima de mim. Pluviosidade, que azar!
Nuvem em cima de mim. Ainda bem que eu sei nadar.
(20-01-1999)
PSEUDOPIA
(LILIAN GOMES/FÁBIO ALLEX)
Acordo contigo no olhar, chego à janela e vejo-te refletida na vidraça.
Envolvo-me com a hortelã que vem do teu hálito contundente,
que perduram em meus lábios...
Calo os olhos e materializo você à minha frente pela milésima vez.
Antes de adormecer, sonho,
e nele transcendemos em algo que nos culminam visceralmente em nossos existenciais...
Continuo sem adormecer... Sonho!
Cruzo com meu pensamento, as barreiras das dores, da distância e do paralelo de nossas essências, para apenas vislumbrar e tocar teu rosto...
Irrelevo o ato de estar, mas me permito ser, apenas ser no momento de encontrar-te.
Faço do ato de fracassar, uma força a mais para que na estrada que sigo, sem nada ter e sem saber aonde chegar, ver os nossos anseios adentrarem na suavidade permanente de existir.
(15-01-2006)
Acordo contigo no olhar, chego à janela e vejo-te refletida na vidraça.
Envolvo-me com a hortelã que vem do teu hálito contundente,
que perduram em meus lábios...
Calo os olhos e materializo você à minha frente pela milésima vez.
Antes de adormecer, sonho,
e nele transcendemos em algo que nos culminam visceralmente em nossos existenciais...
Continuo sem adormecer... Sonho!
Cruzo com meu pensamento, as barreiras das dores, da distância e do paralelo de nossas essências, para apenas vislumbrar e tocar teu rosto...
Irrelevo o ato de estar, mas me permito ser, apenas ser no momento de encontrar-te.
Faço do ato de fracassar, uma força a mais para que na estrada que sigo, sem nada ter e sem saber aonde chegar, ver os nossos anseios adentrarem na suavidade permanente de existir.
(15-01-2006)
DESPEDIDA
(FÁBIO ALLEX)
Vejo do retrovisor: belas Margaridas!
E a saudade está sempre aflita.
Tamanha incerteza temida! Alguma coisa foi concebida?
Há em tudo que se reflita, dores escondidas.
Depois das dores, as sequelas das feridas.
É, a morte é coisa da vida. Perdoe-me se alguma frase não foi dita!
Mas, nada justifica.
Se fosse outra coisa seria menos sofrida?
Acabei num bar, Querida. O álcool me acabando e eu, com toda a bebida.
É verdadeira a recíproca. Tanta paz desperdiçada, compadecida!
Ah, o beijo! A boca falida! A luz que reside chora e grita.
A Felicidade jamais será esquecida!
E é do que a força interior necessita.
A vontade era ser eterna, infinita. Quanta destreza! Saíste sem ser percebida!
Por onde fica a saída? É mais curta a chegada na descida?
Não importa, quando tudo acaba em despedida.
(26-03-2005)
Vejo do retrovisor: belas Margaridas!
E a saudade está sempre aflita.
Tamanha incerteza temida! Alguma coisa foi concebida?
Há em tudo que se reflita, dores escondidas.
Depois das dores, as sequelas das feridas.
É, a morte é coisa da vida. Perdoe-me se alguma frase não foi dita!
Mas, nada justifica.
Se fosse outra coisa seria menos sofrida?
Acabei num bar, Querida. O álcool me acabando e eu, com toda a bebida.
É verdadeira a recíproca. Tanta paz desperdiçada, compadecida!
Ah, o beijo! A boca falida! A luz que reside chora e grita.
A Felicidade jamais será esquecida!
E é do que a força interior necessita.
A vontade era ser eterna, infinita. Quanta destreza! Saíste sem ser percebida!
Por onde fica a saída? É mais curta a chegada na descida?
Não importa, quando tudo acaba em despedida.
(26-03-2005)
MÚSICA P'RA SURDO
(FÁBIO ALLEX)
Publicada no Jornal Pequeno
e interpretada pelas vencedoras do 20º Festival Maranhense de Poesia – em 2006 -, Flávia Menezes e Odara Freitas.
Você, sempre atrasada; eu, antes do horário.
Você, sem regras; eu, anotações no fichário.
Você se esconde; eu exponho. Mostruário.
Você, segredos; eu, longo comentário.
Você extravia; eu, destino. Emissário.
Você com gaiola; eu, sem peixe no aquário.
Você, nascimento; eu, décimo aniversário.
Você, prêmio da loto; eu, meio-salário.
Você, formada; eu, pré-universitário.
Você, novidades; eu, comum. Ordinário.
Você, fatos; eu, conto lendário.
Você, Taffarel; eu, Bebeto e Romário.
Eu, Avon; você, O Boticário.
Você, sempre acompanhada; eu, um pobre solitário.
Você, talvez; eu, imprescindível. Necessário.
Você, sem pistas; eu, dia, hora e cenário.
Você, queima de arquivos; eu, documentário.
Você, sem rumo; eu, mapa, bússola e calendário.
Você desafina; eu, no tom de um canário.
Você, começo; eu, perto do fim. Centenário.
Você, a chefe; eu, um mero funcionário.
Você, noventa por cento; eu, sócio minoritário.
Você, no anonimato; eu, nas páginas do noticiário.
Você, Chaves e Chapolin; eu, universo literário.
Você, esperta, atenta; eu, um grande otário.
Eu, Avon; você, O Boticário.
(20-10-2003)
Publicada no Jornal Pequeno
e interpretada pelas vencedoras do 20º Festival Maranhense de Poesia – em 2006 -, Flávia Menezes e Odara Freitas.
Você, sempre atrasada; eu, antes do horário.
Você, sem regras; eu, anotações no fichário.
Você se esconde; eu exponho. Mostruário.
Você, segredos; eu, longo comentário.
Você extravia; eu, destino. Emissário.
Você com gaiola; eu, sem peixe no aquário.
Você, nascimento; eu, décimo aniversário.
Você, prêmio da loto; eu, meio-salário.
Você, formada; eu, pré-universitário.
Você, novidades; eu, comum. Ordinário.
Você, fatos; eu, conto lendário.
Você, Taffarel; eu, Bebeto e Romário.
Eu, Avon; você, O Boticário.
Você, sempre acompanhada; eu, um pobre solitário.
Você, talvez; eu, imprescindível. Necessário.
Você, sem pistas; eu, dia, hora e cenário.
Você, queima de arquivos; eu, documentário.
Você, sem rumo; eu, mapa, bússola e calendário.
Você desafina; eu, no tom de um canário.
Você, começo; eu, perto do fim. Centenário.
Você, a chefe; eu, um mero funcionário.
Você, noventa por cento; eu, sócio minoritário.
Você, no anonimato; eu, nas páginas do noticiário.
Você, Chaves e Chapolin; eu, universo literário.
Você, esperta, atenta; eu, um grande otário.
Eu, Avon; você, O Boticário.
(20-10-2003)
PENSAMENTOS À VELA
(FÁBIO ALLEX)
Tudo bem, não vou sumir.
Estou aqui, disposto a atender as tuas solicitações, a navegar nas tuas embarcações.
Afinal, p’ra que servem os amigos? E de que adiantaria um anjo sem uma atitude angelical?
Estou nos pensamentos à vela, que correm de encontro as mais fortes correntezas.
Porém, se porventura, eu desaparecer, estarei naquela canção que fiz p’ra ti.
Afinal, por que existiria o umbigo, se nunca houvesse existido o corte do cordão umbilical?
O tempo passa, mas a arte jamais acaba e faz das fagulhas e do instante: incêndio e eternidade.
É capaz até de convencer o devaneio a trazer novamente o que nunca veio.
E se algo causar dor, reclame nem que seja pra extravasar; e me chame, se eu puder ajudar.
(24-01-2007)
Tudo bem, não vou sumir.
Estou aqui, disposto a atender as tuas solicitações, a navegar nas tuas embarcações.
Afinal, p’ra que servem os amigos? E de que adiantaria um anjo sem uma atitude angelical?
Estou nos pensamentos à vela, que correm de encontro as mais fortes correntezas.
Porém, se porventura, eu desaparecer, estarei naquela canção que fiz p’ra ti.
Afinal, por que existiria o umbigo, se nunca houvesse existido o corte do cordão umbilical?
O tempo passa, mas a arte jamais acaba e faz das fagulhas e do instante: incêndio e eternidade.
É capaz até de convencer o devaneio a trazer novamente o que nunca veio.
E se algo causar dor, reclame nem que seja pra extravasar; e me chame, se eu puder ajudar.
(24-01-2007)
COR LARANJA
(FÁBIO ALLEX)
Sempre antes de você chegar, já lhe sinto, já lhe vejo.
Ouço o seu som antes de tocar, com ele, seu beijo.
Uma nova cor está a pintar meu lar com seu gracejo.
Tudo em seu devido lugar, menos eu: fora do eixo.
Quero ser agora a manifestação e deixar de rodeio
Quero mais que uma contida declaração via e-mail
Quero ser sua plena satisfação, ser seu recreio.
Quero explodir adentro do furacão, na hora do tiroteio.
Não consegui desconectar, perdi o sono, sobrou só um bocejo.
A paz responde ao grito do olhar, mas é tão pouco p'ro que almejo.
Parece exagero, mas quero transbordar, senão fraquejo.
Tudo em seu devido lugar, menos eu: fora do eixo.
Quero sua mão na minha mão, deitar no seu seio.
Quero ser o fim da sua solidão, de qualquer receio.
Quero ser a mais longa peregrinação do seu passeio.
Quero agradecer com devoção por estar no meu meio.
(24-11-2006)
Sempre antes de você chegar, já lhe sinto, já lhe vejo.
Ouço o seu som antes de tocar, com ele, seu beijo.
Uma nova cor está a pintar meu lar com seu gracejo.
Tudo em seu devido lugar, menos eu: fora do eixo.
Quero ser agora a manifestação e deixar de rodeio
Quero mais que uma contida declaração via e-mail
Quero ser sua plena satisfação, ser seu recreio.
Quero explodir adentro do furacão, na hora do tiroteio.
Não consegui desconectar, perdi o sono, sobrou só um bocejo.
A paz responde ao grito do olhar, mas é tão pouco p'ro que almejo.
Parece exagero, mas quero transbordar, senão fraquejo.
Tudo em seu devido lugar, menos eu: fora do eixo.
Quero sua mão na minha mão, deitar no seu seio.
Quero ser o fim da sua solidão, de qualquer receio.
Quero ser a mais longa peregrinação do seu passeio.
Quero agradecer com devoção por estar no meu meio.
(24-11-2006)
sexta-feira, 1 de dezembro de 2006
FISIOLOGIA
(FÁBIO ALLEX)
Se sou carnaval, tu és meu samba-enredo;
Se sou brinquedo, tu és minha criança;
Se sou esperança, tu és minha possibilidade;
Se sou vaidade, tu és meu espelho;
Se sou conselho, tu és minha experiência;
Se sou ciência, tu és minha metodologia;
Se sou orgia, tu és minha disciplina;
Se sou neblina, tu és minha calma;
Se sou alma, tu és meu interior;
Se sou ator, tu és minha personagem;
Se sou viagem, tu és meu transporte;
Se sou sorte, tu és meu acaso;
Se sou passos, tu és meu destino;
Se sou tino, tu és minha atenção;
Se sou cristão, tu és minha igreja;
Se sou leveza, tu és minha gravidade;
Se sou a saudade, tu és fim dela;
Se sou guerra, tu és meu cessar-fogo;
Se sou pouco, é por que tu estás longe;
Se sou monge, tu és meu mosteiro;
Se sou primeiro, tu és minha vitória;
Se sou glória, tu és meu renome;
Se sou fome, tu és meu banquete;
Se sou sede, tu és meu riacho;
Se sou baixo, tu és meu falsete;
Se sou lembrete, tu és minha memória;
Se sou História, tu és meu passado;
Se sou viciado, tu és meu vício;
Se sou início, tu és meu complemento;
Se sou momento, tu és minha paixão;
Se sou solidão, tu és tu apenas;
Se sou Atenas, tu és minha Grécia;
Se sou controvérsia, tu és meu assunto;
Se sou culto, tu és meu instruir;
Se sou porvir, tu és meu além;
Se sou refém, tu és meu resgate;
Se sou desgaste, tu és meu reabastecer;
Se sou você, tu és meu eu;
Se sou breu, tu és minha hulha;
Se sou unha, tu és meu dedo;
Se sou cedo, tu és minha hora certa;
Se sou seta, tu és meu alvo;
Se sou salvo, tu és minha liberdade;
Se sou combate, tu és meu bombardeio;
Se sou anseio, tu és meu motivo;
Se sou altivo, tu és altar;
Se sou mar, tu és minha enchente;
Se sou demente, tu és minha loucura;
Se sou água pura, tu és minha fonte;
Se sou ponte, tu és as duas margens;
Se sou mensagem, tu és meu verbo raro;
Se sou claro, tu és minha vela acesa;
Se tu és minha princesa, meu coração é teu castelo.
(15-09-2003)
Se sou carnaval, tu és meu samba-enredo;
Se sou brinquedo, tu és minha criança;
Se sou esperança, tu és minha possibilidade;
Se sou vaidade, tu és meu espelho;
Se sou conselho, tu és minha experiência;
Se sou ciência, tu és minha metodologia;
Se sou orgia, tu és minha disciplina;
Se sou neblina, tu és minha calma;
Se sou alma, tu és meu interior;
Se sou ator, tu és minha personagem;
Se sou viagem, tu és meu transporte;
Se sou sorte, tu és meu acaso;
Se sou passos, tu és meu destino;
Se sou tino, tu és minha atenção;
Se sou cristão, tu és minha igreja;
Se sou leveza, tu és minha gravidade;
Se sou a saudade, tu és fim dela;
Se sou guerra, tu és meu cessar-fogo;
Se sou pouco, é por que tu estás longe;
Se sou monge, tu és meu mosteiro;
Se sou primeiro, tu és minha vitória;
Se sou glória, tu és meu renome;
Se sou fome, tu és meu banquete;
Se sou sede, tu és meu riacho;
Se sou baixo, tu és meu falsete;
Se sou lembrete, tu és minha memória;
Se sou História, tu és meu passado;
Se sou viciado, tu és meu vício;
Se sou início, tu és meu complemento;
Se sou momento, tu és minha paixão;
Se sou solidão, tu és tu apenas;
Se sou Atenas, tu és minha Grécia;
Se sou controvérsia, tu és meu assunto;
Se sou culto, tu és meu instruir;
Se sou porvir, tu és meu além;
Se sou refém, tu és meu resgate;
Se sou desgaste, tu és meu reabastecer;
Se sou você, tu és meu eu;
Se sou breu, tu és minha hulha;
Se sou unha, tu és meu dedo;
Se sou cedo, tu és minha hora certa;
Se sou seta, tu és meu alvo;
Se sou salvo, tu és minha liberdade;
Se sou combate, tu és meu bombardeio;
Se sou anseio, tu és meu motivo;
Se sou altivo, tu és altar;
Se sou mar, tu és minha enchente;
Se sou demente, tu és minha loucura;
Se sou água pura, tu és minha fonte;
Se sou ponte, tu és as duas margens;
Se sou mensagem, tu és meu verbo raro;
Se sou claro, tu és minha vela acesa;
Se tu és minha princesa, meu coração é teu castelo.
(15-09-2003)
VERSOS NO VERSO
(FÁBIO ALLEX)
Eu que já sou tarde de esperar, eu que tantas cousas deixei p’ra lá.
Eu que tantos voltei sem sair de cá, eu que não me canso de parar.
Eu que pouco falo p’ra pensar, eu que muito penso p’ra falar.
Eu que já não sei por onde andar, eu que já não saio do lugar.
Meus versos que tantos meus, deixaram de ser meus.
Meus versos que tantas prosas, sempre aqui, estão porvir.
Eu que jocoso de tristeza, eu que robusto de fraqueza.
Eu que sujo de pureza, eu que pobre de nobreza.
Eu que púgil, titubeei. A música parou e eu dancei.
Eu que páginas em branco, tantas histórias p’ra contar.
Eu que errôneo de ser verdadeiro,
Eu que heterônimo de dar a cara a tapas.
Meus versos que tantos meus, deixaram de ser meus.
Meus versos que tantas prosas, sempre aqui, estão porvir.
Estou aqui só por você, sei que vou me arrepender.
Mas, eu sigo meu instinto e falo sempre o que sinto.
Eu queria lhe dizer tudo que penso de você,
Mas você não me deu atenção.
Nossos caminhos cruzaram-se em vão.
Talvez, na sua memória, ainda reste uma lembrança,
Daqueles versos que um dia foram meus.
Eu que já sou tarde de esperar.
(23-06-1999)
Eu que já sou tarde de esperar, eu que tantas cousas deixei p’ra lá.
Eu que tantos voltei sem sair de cá, eu que não me canso de parar.
Eu que pouco falo p’ra pensar, eu que muito penso p’ra falar.
Eu que já não sei por onde andar, eu que já não saio do lugar.
Meus versos que tantos meus, deixaram de ser meus.
Meus versos que tantas prosas, sempre aqui, estão porvir.
Eu que jocoso de tristeza, eu que robusto de fraqueza.
Eu que sujo de pureza, eu que pobre de nobreza.
Eu que púgil, titubeei. A música parou e eu dancei.
Eu que páginas em branco, tantas histórias p’ra contar.
Eu que errôneo de ser verdadeiro,
Eu que heterônimo de dar a cara a tapas.
Meus versos que tantos meus, deixaram de ser meus.
Meus versos que tantas prosas, sempre aqui, estão porvir.
Estou aqui só por você, sei que vou me arrepender.
Mas, eu sigo meu instinto e falo sempre o que sinto.
Eu queria lhe dizer tudo que penso de você,
Mas você não me deu atenção.
Nossos caminhos cruzaram-se em vão.
Talvez, na sua memória, ainda reste uma lembrança,
Daqueles versos que um dia foram meus.
Eu que já sou tarde de esperar.
(23-06-1999)
O VERNÁCULO NO LIQUIDIFICADOR
(FÁBIO ALLEX)
Já não sei o que é rock n’ roll.
Um corpo-padre do alto arranha-céu jogou-se.
O vigário chorando escondeu um sorriso, e o riso masoquista, o mercenário sádico indicou.
Arrancou mais risos e aplausos das marionetes,
Enquanto o lirismo de chapéu na mão, na escadaria.
Os alcoólicos anônimos dizem-se fazer democracia.
A estação fumou o vício, e é só o início do princípio.
As várias formas de amar uma mulher adulteraram o que foi singelo...
O flagelo na fila do hospital...
A C.P.I. vai apurar onde encarceraram a gramática, e vai ser notícia de jornal.
Já não sei o que é Brasil. São tantas pátrias.
Já não sei o que amor. Só o que vejo é rancor.
Já não sei o que é cor. Mancharam o arco-íris.
A estátua da liberdade aprisionou o Cristo Redentor.
E os reais ternos e gravatas com dólares no bolso, pagam só p’ra ver.
Alerta! Perigo! Polícia ou bandido? Agora é só você e mais ninguém.
Não se preocupe com o que vai vestir, ouvir ou falar.
Apenas siga o modelo na televisão, se é que está bom p’ra você.
Já não sei o que é rock n’ roll ou bossa-nova. A estação fumou o vício.
Já não sei o que é jogo. Apelaram p’ra ganhar.
(15-12-1999)
Já não sei o que é rock n’ roll.
Um corpo-padre do alto arranha-céu jogou-se.
O vigário chorando escondeu um sorriso, e o riso masoquista, o mercenário sádico indicou.
Arrancou mais risos e aplausos das marionetes,
Enquanto o lirismo de chapéu na mão, na escadaria.
Os alcoólicos anônimos dizem-se fazer democracia.
A estação fumou o vício, e é só o início do princípio.
As várias formas de amar uma mulher adulteraram o que foi singelo...
O flagelo na fila do hospital...
A C.P.I. vai apurar onde encarceraram a gramática, e vai ser notícia de jornal.
Já não sei o que é Brasil. São tantas pátrias.
Já não sei o que amor. Só o que vejo é rancor.
Já não sei o que é cor. Mancharam o arco-íris.
A estátua da liberdade aprisionou o Cristo Redentor.
E os reais ternos e gravatas com dólares no bolso, pagam só p’ra ver.
Alerta! Perigo! Polícia ou bandido? Agora é só você e mais ninguém.
Não se preocupe com o que vai vestir, ouvir ou falar.
Apenas siga o modelo na televisão, se é que está bom p’ra você.
Já não sei o que é rock n’ roll ou bossa-nova. A estação fumou o vício.
Já não sei o que é jogo. Apelaram p’ra ganhar.
(15-12-1999)
MENTIRAM P'RA MIM
(FÁBIO ALLEX)
Disseram-me que existe Papai Noel. Nunca o vi.
Que quando se morre, vai-se p’ro céu,
Eu já morri... Que as nuvens eram de algodão,
Quem não estuda vira ladrão.
Que homens não choram e viram lobisomens em noites de lua cheia.
Mentiram p’ra mim.
Disseram-me que na poesia há a verdade,
Que há pessoas capazes de fazer o bem.
Que quando eu crescesse iria entender a vida,
Que p’ra tudo tem e dar-se um jeito.
E que a pressa é a inimiga da perfeição,
Que os pesadelos acabam quando se faz uma oração.
Mentiram p’ra mim.
Que nada vai me acontecer, porque tenho um anjo da guarda,
E se eu mentir, o nariz vai crescer.
E que p’ra conseguir as coisas, basta querer.
E se eu não for correto, Deus vai castigar.
E se alguém me trair,
É só perdoar.
Mentiram p’ra mim.
(21-08-1998)
Disseram-me que existe Papai Noel. Nunca o vi.
Que quando se morre, vai-se p’ro céu,
Eu já morri... Que as nuvens eram de algodão,
Quem não estuda vira ladrão.
Que homens não choram e viram lobisomens em noites de lua cheia.
Mentiram p’ra mim.
Disseram-me que na poesia há a verdade,
Que há pessoas capazes de fazer o bem.
Que quando eu crescesse iria entender a vida,
Que p’ra tudo tem e dar-se um jeito.
E que a pressa é a inimiga da perfeição,
Que os pesadelos acabam quando se faz uma oração.
Mentiram p’ra mim.
Que nada vai me acontecer, porque tenho um anjo da guarda,
E se eu mentir, o nariz vai crescer.
E que p’ra conseguir as coisas, basta querer.
E se eu não for correto, Deus vai castigar.
E se alguém me trair,
É só perdoar.
Mentiram p’ra mim.
(21-08-1998)
FIQUE MAIS UM POUCO
(FÁBIO ALLEX)
Fique mais um pouco, tome mais um gole, pode acender mais um cigarro.
Faça-me companhia, seu papo agrada-me. Em você, eu me amarro.
Estive esperando tanto por você. Fiquei muito feliz em poder lhe ver.
Não vá embora, agora. Ainda não é hora. Por que não demorar?
Ainda é tão cedo, você me traz sossego. Pare de se apressar.
Vamos escutar um som ou então cantar um. E comer uma boa comida.
Hoje é com você, querida. Hoje é você quem manda e eu obedeço...
Fique mais um pouco e não mais esqueça o meu endereço...
(25-07-1998)
Fique mais um pouco, tome mais um gole, pode acender mais um cigarro.
Faça-me companhia, seu papo agrada-me. Em você, eu me amarro.
Estive esperando tanto por você. Fiquei muito feliz em poder lhe ver.
Não vá embora, agora. Ainda não é hora. Por que não demorar?
Ainda é tão cedo, você me traz sossego. Pare de se apressar.
Vamos escutar um som ou então cantar um. E comer uma boa comida.
Hoje é com você, querida. Hoje é você quem manda e eu obedeço...
Fique mais um pouco e não mais esqueça o meu endereço...
(25-07-1998)
PRISIONEIRO DO MEDO
(FÁBIO ALLEX)
Eu fecho os olhos, e ele aparece.
O que foi claro, agora escurece.
Eu ‘tou ligado nesse sobe e desce.
Vê se me deixa em paz!
Eu fecho os olhos, e ele aparece.
Eu já orei, já fiz uma prece.
Eu já falei: vê se me esquece!
Vê se me deixa em paz!
Eu abro os olhos, e na minha frente está.
Eu já não sei mais para onde olhar.
Nessa correnteza, nesse alto mar,
Estou prestes por me afogar.
Mudo de lugar, mudo de cidade.
Mas, ele está por toda parte.
Só indo a Júpiter ou a Marte.
Vai ver nem iria adiantar.
Está presente em todo passo que eu dou.
Eu já não sei mais para onde vou.
Eu já não sei, sequer quem sou.
Talvez, um corpo fugindo de si.
(24-10-1998)
Eu fecho os olhos, e ele aparece.
O que foi claro, agora escurece.
Eu ‘tou ligado nesse sobe e desce.
Vê se me deixa em paz!
Eu fecho os olhos, e ele aparece.
Eu já orei, já fiz uma prece.
Eu já falei: vê se me esquece!
Vê se me deixa em paz!
Eu abro os olhos, e na minha frente está.
Eu já não sei mais para onde olhar.
Nessa correnteza, nesse alto mar,
Estou prestes por me afogar.
Mudo de lugar, mudo de cidade.
Mas, ele está por toda parte.
Só indo a Júpiter ou a Marte.
Vai ver nem iria adiantar.
Está presente em todo passo que eu dou.
Eu já não sei mais para onde vou.
Eu já não sei, sequer quem sou.
Talvez, um corpo fugindo de si.
(24-10-1998)
MAR
(FÁBIO ALLEX)
Amar o mar; ao mar, amor;
No mar, remar; rimar, rumor;
Mar no amar, rimar o amor;
Remar o mar; ao mar, rumor;
No mar, rimar; amar o amor;
Remar o amar; amar, rumor;
Rimar no amor, amar no mar.
(10-11-2000)
Amar o mar; ao mar, amor;
No mar, remar; rimar, rumor;
Mar no amar, rimar o amor;
Remar o mar; ao mar, rumor;
No mar, rimar; amar o amor;
Remar o amar; amar, rumor;
Rimar no amor, amar no mar.
(10-11-2000)
PERMANENTE
(FÁBIO ALLEX)
O que é Isso que vem e fica, ampara, abriga, e não quer mais ir embora?
O que é Isso que não tem medo, é apego, revela ao vento e aflora?
O que é Isso que engana o tempo, emana o momento e perde as horas?
O que é Isso que traz o sorriso, espera o que é preciso e reconhece o agora?
O que é Isso que é perseverante, solidário relutante e imigrante visceral?
O que é Isso que é festa, alegria, mas nunca usa fantasia, sequer em carnaval?
O que é Isso que é espelho, é devagar, é anseio e pelo infinito se locomove?
O que é Isso que nasce, cresce, até enfraquece, se restabelece e nunca morre?
(26-01-2006)
RESSACA DE POESIA
(FÁBIO ALLEX)
O meu corpo no teu, se irradia.
No reboliço de nossos lábios, no roçar de nossas línguas tem magia.
Na chuva, na tua voz tem melodia.
Demorou ou foi cedo?...
Se não fosse a hora certa, aqui não estaríamos.
Contigo, descobri a diferença entre fartura e iguaria.
Se algo, eu tivesse que perder p’ra poder sempre te ter,
Não me importaria.
Meu pensamento a procura do teu faz vigília.
Vem a noite, cresce a saudade, mas não acaba o dia.
Minh’alma embriagada com teu cheiro, vadia:
Ressaca de poesia!
(25-03-2006)
NÃO PROMETO UM SONETO
(FÁBIO ALLEX)
Aonde tu fores, mudos serão cantores... As flores que te cheiram.
Tua beleza traz-me paz, massageia meu corpo e colore minha alma.
Perfil de santa que encanta, planta amores onde árvores andam.
Contigo, nem todas as guerras tirariam de mim, a leveza e a calma.
Todos os tinos e sinos unânimes, ovacionando a natureza.
Para onde vais, na tua bagagem irá meu pensamento.
Desejos, um ensejo, tuas mãos, nosso canto, minha certeza.
Não prometo um soneto, mas saudade na ida; na vinda, contentamento.
Minhas mãos em teu rosto, deslizam com gosto como a fome em vasto almoço.
Que não tarde o meu esperar! Uma não-vinda causaria alvoroço.
Tragas lume para o escuro da esquina, para os meus lábios, beijos cálidos!
Seja para mim, o teu despires: madrugada, cheiro de chuva e manto.
Os ventos dos teus sorrisos haverão de secar a poça do meu pranto.
Dar-te-ei afagos, segredos, proteção. Serei teu anjo. Que meus gestos sejam válidos!
(17-01-2003)
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